"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos." (Marguerite Yourcenar)

«Adevăratul loc de naştere este acela unde pentru prima dată ai aruncat asupra ta însuţi o privire pătrunzătoare» (Marguerite Yourcenar)

raulpassos.maestro@gmail.com

16 de dez de 2009

FEIRA VEGETARIANA DE CURITIBA (informe)

FEIRA VEGETARIANA DE CURITIBA VOLTA AOS SÁBADOS EM CARÁTER PERMANENTE


Foi quase um ano de negociações e ajustes com a Prefeitura Municipal de Curitiba. Algumas vezes, o grupo de voluntários da Sociedade Vegetariana de Curitiba (SVB), acreditava que não conseguiria mais colocar a Feira Gastronômica Vegetariana de volta na cidade. Mas, neste dia 24 de outubro, e em todos os próximos sábados, a Feira Vegetariana de Curitiba, que comercializa alimentos prontos para o consumo feitos com ingredientes de origem 100% vegetal, marcará ponto na Praça 29 de Março, para a satisfação dos mais de mil vegetarianos, simpatizantes e curiosos que frequentaram suas edições-piloto no ano passado.



O projeto foi idealizado pelo Grupo Curitiba da SVB, apresentado em 2008 à Secretaria Municipal do Abastecimento (SMAB), ganhou duas edições como teste naquele ano e será reinaugurada em caráter permanente neste sábado. "A demora para a realização da Feira", explica Ricardo Laurino, coordenador da SVB-Curitiba, "deveu-se tanto às adequações do grupo com as normas e leis governamentais para implantar um evento público, e também à adaptação de nosso grupo de feirantes às novas regras que a SMAB começará a implantar para todo o tipo de feira livre em Curitiba. Tivemos que projetar um modelo novo de barraca, tivemos que montar fichas técnicas e manuais. Mas, no final, apesar da demora, o resultado será melhor, os consumidores ficarão mais seguros e temos certeza de que a Prefeitura e a cidade poderão se orgulhar desta Feira que é inédita em todo o Brasil."



Ricardo também acrescenta que a Feira contará com 8 barracas que irão oferecer várias delícias veganas. Vegan ou vegana é o nome que se dá à comida que é livre de ingrediente de origem animal, tais como carnes, ovos, leite e laticínios, mas também mel e corantes animais. Entre as opções, o público encontrará cachorro quente e hambúrguer vegetariano, salgados indianos, sucos naturais, bolos e tortas doces, espetinhos e falafel. A ideia é aumentar a quantidade de feirantes no próximo ano, para que a Feira possa contar também com produtos alimentícios industrializados veganos, como leite de arroz, leite condensado de soja e tofu, e incluir outros tipos de sanduíches.



Quem for lanchar na Feira, também poderá conhecer mais dos projetos da SVB, pois esta organização estará expondo materiais informativos e vendendo produtos para angariar fundos para as campanhas vegetarianas que realiza por todo o país. Ricardo Laurino comenta que, "neste ano, graças à arrecadação que tivemos com as edições-piloto da Feira em 2008, conseguimos emplacar uma campanha pró-vegetarianismo em painéis eletrônicos no Shopping Estação. Também pudemos realizar a primeira Mostra Internacional de Cinema pelo Direito Animal. Iniciativas como estas acontecem em todo o país e temos vários outros projetos, como montar um curso sobre vegetarianismo para oferecer gratuitamente ao público e às escolas, apoiar a Lei Expedito pela Rotulagem Vegana, fazer uma nova Mostra de Cinema e uma outra fotográfica."





Feira Vegetariana de Curitiba

Praça 29 de Março - Mercês

Todo sábado, das 9h às 17h



POR SUA VIDA...

E PELA VIDA DOS ANIMAIS...

NÃO ALIMENTE-SE DE CADÁVERES E DEFUNTOS!

LEVE A VIDA MAIS LEVE!

NÃO FAÇA DE SEU ESTÔMAGO UM CEMITÉRIO!

TENHA PIEDADE!

NÃO INGIRA O SOFRIMENTO DE OUTRO SER!

10 de dez de 2009

PROGRAMA "TEMPO DE VIVER" - TV PARANÁ EDUCATIVA

 Participação dos músicos Raul Passos (piano), Alberto Battistella (tenor) e Max Gallehr Scheffler (violino) no programa "Tempo de Viver" da TV Paraná Educativa.

Gravado em 03 de Dezembro de 2009 em Curitiba, Brasil

Înregistrarea muzicienilor Raul Passos (pian), Alberto Battistella (tenor) și Max Gallehr Scheffler (vioară) în emisiunea ”Tempo de Viver” (Timpul de a trai) la TV Paraná Educativa.

Înregistrat pe 03 Decembrie 2009, Curitiba, Brazilia

http://www.rtve.pr.gov.br/modules/debaser/player.php?id=4026
http://www.rtve.pr.gov.br/modules/debaser/player.php?id=4025

1 de out de 2009

ALICIA DE LARROCHA: UMA ELEGIA

Ela entra no palco vagarosamente e, com um sorriso largo e claramente sincero, saúda o público. Volta-se para a orquestra e, com a mesma distinção, se curva diante dos músicos. Senta-se ao piano e põe os óculos, que lhe conferem o ar de uma vovó que está prestes a bater um bolo para a delícia dos netinhos. Porém, a receita é outra. Serena, de gestos econômicos e com um semblante de quem não poderia estar fazendo outra coisa senão música, ela extrai do piano frases melódicas magistralmente construídas e timbres precisos esculpidos em harmonias cristalinas. Seu toque, longe de qualquer mecanicidade vã é, não obstante, claro e preciso. Sua atitude musical é polida e elegante. Assim ela será lembrada.


O mundo da música perdeu, na última sexta-feira, dia 25, em Barcelona, a grande pianista espanhola Alicia de Larrocha.


Num mundo que a cada dia empobrece mais culturalmente e vê os seus grandes referenciais do passado se extinguirem, a transição da grande artista catalã é duplamente sentida. Personalidade afável e carismática, Alicia de Larrocha era de um singular ecletismo. Imbatível na interpretação dos compositores espanhóis, foi também uma distinta mozartiana e, sem sombra de dúvida, uma das maiores intérpretes de Ravel. Ainda para além dessas inquestionáveis referências, caberia dizer que nos deixou igualmente excelentes leituras de Beethoven, Bach, Schumann e Brahms, estas últimas infelizmente pouquíssimo conhecidas. Por fim, é necessário salientar o fato de que se conhecemos compositores como Mompou e Montsalvatge, foi porque as mãos pequenas e robustas de Alicia de Larrocha os colocaram no mapa da música.



Evitando apresentações excessivas, foi no estúdio onde se encontrou. Graças a isso, seu legado nos foi assegurado. Muitas de suas interpretações permanecerão por muito tempo insuperáveis. Cabe citar aqui, para ficar apenas nos seus compatriotas, o mosaico de cores que conseguiu retratar nas Goyescas, de Enrique Granados, ou ainda a poesia depurada de qualquer sentimentalismo gratuito nas Valsas Poéticas e o virtuosismo consciente e efusivo no Allegro de Concierto, todos do mesmo autor. Em Albéniz, possivelmente seu cavalo de batalha, encontramos a intérprete natural, onde o sentimento ibérico prevalece e a roupagem espanhola aparece numa evidência e beleza desconcertantes, sobretudo na suíte Ibéria.


Sua genialidade residia na sensibilidade aguçada e na sua natural capacidade interpretativa, sempre a serviço de sua consciência musical, inteligente e refinada.


O mundo musical sentirá sua ausência física, mas terá seu nome indelével entre os seus mais elevados referenciais.


Repouse na paz do Grande Arquiteto do Universo, grande dama do piano!




28 de ago de 2009

UM PEQUENO TRIBUTO...


De todas as conquistas que obtive na Romênia, certamente aquela mais gratificante é de natureza imaterial, a exemplo do que normalmente ocorre nessas vivências. Vamos em busca de um objetivo específico (nesse meu caso, o aprimoramento enquanto musicista) e voltamos com uma bagagem maior. Acabamos mesmo ensinando um tanto além do que absorvemos. Naturalmente, as relações construídas acabaram sendo para mim tão ou mais importantes que o processo acadêmico em si.
Hoje, movido por um misto de saudade, agradecimento e, claro, admiração, escreverei algumas linhas dedicadas aos amigos que fiz na Universitatea Naţionala de Muzică, em Bucareste. No curso de Mestrado, somos aproximadamente 30 musicistas, sendo 9 pianistas, dos quais vou falar em seqüência. Minha convivência com eles reproduziu, de certa maneira, o ambiente no qual eu estava imerso na faculdade de Composição e Regência. Naquela época, éramos 6 na turma: 5 rapazes (além de mim, Ricardo Petracca, Rainer Mafra, Alexandre Gonçalves e Osmário Estevam Jr.) e mais a Margarethe Nascimento, que conferia um quê de respeitabilidade ao grupo dos marmanjos... Na Romênia, dos 9 pianistas, 7 são mulheres.
Passei a conviver mais com Andreea a partir do momento em que nossa professora de música de câmara, Manuela Giosa, nos propôs trabalharmos a suíte Scaramouche, para 2 pianos, de Darius Milhaud. Descobri, com grata surpresa, que aquela menina loira e baixinha de sorriso fácil era uma pianista de vivacidade incomum. Nossos ensaios eram entrecortados por conversas frugais porém muito divertidas. Numa determinada aula, após terminarmos o movimento lento da supracitada suíte, que é de uma beleza poética latente e não obstante de uma simplicidade cristalina, um silêncio profundo perdurou na sala por alguns instantes. Foi finalmente rompido pela professora Giosa: „Tão simples e tão belo como a vida...”. Não havia o que ser acrescentado... Acabou se tornando a amiga presente em cada dia. Sempre atenciosa, chega mesmo a me telefonar cá no Brasil e não esquece de vez por outra enviar uma mensagem. O que destoa um pouco do todo (e até julgo divertido) é o seu gosto por Britney Spears e Richard Clayderman... É, além de tudo, uma exímia e sensível fotógrafa.
Próxima a ela está Mădălina, porém com um temperamento musical diferente. Foi a primeira pessoa com quem travei conhecimento no mestrado, ainda no dia da matrícula. Com meu nível então precário de língua romena, a sempre prestativa secretária Mariana Popescu, no momento em que eu deveria redigir minhas solicitações de matrícula, disse para eu copiar os termos da solicitação da mocinha logo atrás de mim. Olhei para trás e Mădălina sorriu. Em pouco tempo, estaríamos trocando sugestões na interpretação da Sonata para Violino e Piano de Debussy. Juntos, amargamos os jilós dos exames de acompanhamento. Minha identificação natural com ela, pela própria personalidade artística, ainda era acrescida de coincidências bastante curiosas: executávamos praticamente os mesmos repertórios em todas as disciplinas, tirávamos sempre as mesmas notas e até nas provas que previam sorteio de questões, acabávamos tirando o mesmo papel. Na quase totalidade dos exames, virávamos página um para o outro. Além do que, é leonina também! Tudo isso levou a professora Giosa a declarar certa vez que éramos „irmãos gêmeos”. De fato, acho que se eu tivesse uma irmã seria algo parecida com ela.
Emilia foi a primeira a me ajudar, logo no começo das aulas, quando precisei de uma ajuda para entender o (burocrático) sistema de funcionamento da biblioteca da faculdade. Falando um respeitável francês, me ajudou diligentemente no preenchimento das fichas de empréstimo. Tem um jeito bastante espevitado, vive falando em esoterismo (os astros parecem reger também a personalidade dela em tempo integral...) e não hesita em analisar e resolver as relações de todo mundo através dos signos. Está aí talvez a única pessoa que sorri abertamente na Romênia! Gargalha, de fato...
A última colega de quem me aproximei foi Luiza, mesmo porque ela sempre esteve distante do resto do grupo. Paradoxalmente, a cada vez que nos encontrávamos, estava sempre preocupada em saber como eu me sentia no país, como estava convivendo com as diferenças, quais as minhas expectativas, e assim por diante. Certa vez, enquanto esperávamos a vez de entrada para o exame (devido à ordem alfabética por sobrenomes, ela normalmente me sucedia), perguntei se estava nervosa. Ela sorriu timidamente e disse: „E você sempre tão calmo... Pelo menos, é o que transparece!”.

Stefan sempre esteve mais calado, mais „na dele” como dizemos coloquialmente. Embora muito introvertido, quando decidia fazer um piada ou um comentário qualquer... era certeza de riso geral! Mostrou-se efetivamente um bom companheiro e bom papo sobretudo para os longos minutos de espera diante da sala antes de uma prova teórica. Sua tese sobre prelúdios e fugas de Bach e Shostakovich me chamou atenção para a seriedade com que encara a música.
O fato mais curioso sobre Maria, o qual acaba de me ocorrer, é que foi ela a única dentre todos os colegas com quem falei unicamente em romeno desde o primeiro momento. Possuidora de uma inteligência musical fora do comum, é dotada ainda de um poder técnico e interpretativo no mínimo invejável. Ao piano, quando tocava, deixava transparecer uma atitude imperativa e distinta, que quase parecia a de outra pessoa que não aquela menina meiga, sorridente e brincalhona que de fato ela é. Cantarola discretamente quando toca, o que é um vício desculpável para alguém que está constantemente e com efeito dentro da música.
Ioana é a personalidade mais rica e complexa de todas. Dona de uma esmerada cultura, interessada e entendida em literatura, apaixonada pela língua portuguesa, ainda é a meu ver a melhor pianista dentre todos nós: mais por sua vasta capacidade interpretativa e sensibilidade do que por sua incontestável segurança técnica. A cereja do bolo?: é vegetariana. Quando a vi pela primeira vez (ela não era tão assídua freqüentadora das aulas), pensei que fosse alguém meio fora do ar. Com o tempo e a convivência, descobri que ela é, de fato, maravilhosamente fora do ar. Passamos longas horas conversando no terraço da faculdade e por vezes também no parque Cişmigiu. Lembro nitidamente dela escrevendo no meu caderno, enquanto fumava nervosamente e os dedos da outra mão oscilavam com o lápis. Seu olhar incisivo é outra carcterística marcante. Pressentia quando algo ia errado comigo e me lançava um olhar penetrante perguntando „Ce ai cu tine?” (o que você tem?). Nunca consegui esconder nada dela por conta disso. Discutíamos musica seriamente ao mesmo tempo em que fazíamos brincadeiras como executar os dois, simultaneamente e em dois pianos, L’Isle Joyeuse, de Debussy. Disse a ela certa vez: „Você toca essa peça completamente diferente de mim... Mas como eu admiro!”.
Não sei ainda direito que razões me levaram a intuir Oana como a intérprete da minha suíte Cartas Romenas, em maio. Até aquele mês, falávamo-nos relativamente pouco. Porém sempre retive algo muito bom dela de cada vez que nos encontrávamos. Dona de um sorriso amável e franco, embora tímido, era para ela que eu recorria no meio da aula quando não entendia alguma palavra. Fui assisti-la certa vez tocar o Trio Dumky, de Dvorák. Chamou-me para jantar na sequência. Foi quando convidei-a para tocar comigo minha suíte a 4 mãos. Ela tomou a partitura, manuscrita e ainda incompleta nas mãos, folheou com gravidade e depois, com um sorriso, aceitou o desafio. Tivemos pouco mais de uma semana para prepará-la. Fui a seu convite à sua cidade natal, Galaţi, para uma estadia de 2 dias, onde poderíamos ensaiar seriamente. Lá, fui acolhido por seus pais, pessoas de uma simplicidade, amabilidade e dedicação incomparáveis, que me promoveram uma das melhores acolhidas que tive em minha vida. Na reta final antes das provas, passávamos horas a fio em salas contiguas, estudando (in)cansavelmente, até que um ia até a porta do outro e chamava para um lanche no vizinho parque Cişmigiu. Naquele gramado, freqüentemente na companhia da Ioana, dividíamos as mesmas inquietações e quase sempre as mesmas opiniões e gostos. Por suas mãos, escutei uma das mais belas e convincentes interpretações da Sonata em La Menor de Mozart. De todos, é com quem sou musicalmente mais identificado.

Essas são algumas das impressões que me vieram à mente no momento de redigir esse pequeno tributo. Certamente, um livro inteiro de boas memórias poderia ser escrito sobre esses amigos queridos. Vou me sentir tentado a, toda vez que abrir meu blog, acrescentar alguma outra memória sobre eles. Também, nesse momento, devo ao menos citar os demais amigos, de fora do meio acadêmico, que me devotaram seu carinho e suporte ao longo desse ano. Vou nomear aqui meus caros Fernando Klabin (anfitrião, amigo das horas de narguilé, das elevadas conversas sobre música e literatura e das periódicas idas aos seus retiros de Draguşeni e de Fierbinţi), Elena (sua querida e devotada esposa), o embaixador Vitor Gobato (que me prestou impagável auxílio pessoal, material e psicológico), Socorro, Rubens, Garibaldi, Jorge e Andréia (todos da embaixada), Laura Marculescu (a mais brasileira de todos os romenos), Raluca e Sebastian (que me promoveram o mais exótico ano-novo da minha vida), Wolfgang, Alexandra, Alexandru e Bianca (pelas viagens, passeios e noites de palinca e ţuica!!!), Diana Şincai e Gabriela Vişan (da Rádio Romena), Irina Sârbu (minha partner no concerto de Braşov), Sorin Lerescu (meu portal de entrada na Romênia), Verona Maier e Andreea Cristea (estes ainda do meio musical).
Todos vocês –tenham certeza- são muitíssimo mais do que a memória que me constrói!

12 de ago de 2009

Cronica muzicală : PIANISTUL RAUL PASSOS

Cronica muzicală : PIANISTUL RAUL PASSOS

Sâmbătă, 20 iunie 2009, în rotonda Ateneului Paul Constantinescu (Casa memorială omonimă din Ploieşti, strada Nicolae Bălcescu 15), după ora 11 a.m., statornicii melomani care de obicei asistă de ani de zile la toate evenimentele muzicale organizate şi prezidate cu excelenţă profesională, de maestrul Alexandru Bădulescu, au trăit reale momente de răsfăţ eutherpean, avându-l ca invitat – premieră locală! – pe Raul Passos, pianist brazilian cu uimitor palmares interpretativ şi de creaţie. Prezenţa domniei sale a fost motivată de o dublă contribuţie: prima – acompaniamentul asigurat recitalului vocal susţinut de distinsa soprană Camelia Pavlenco, a doua – interpretarea câtorva lucrări pianistice de notorietate în istoria muzicii universale.

De un an de zile aflat în ţara noastră, locuitor al Bucureştiului, Raul Passos are, la 23 de ani, o biografie remarcabilă. La 6 ani începea să arate că e născut pentru muzică. După studii de Componistică şi Dirijat s-a prezentat în primele concerte în sălile din Curitiba – localitatea natală, în Rio de Janeiro, în São Paulo, Minas Gerios, Golãs, Rio Grande do Sul şi Santa Catarina. Ultrapremiat internaţional, Raul Passos urmează acum masteratul la Universitatea Naţională de Muzică din Bucureşti.

Vorbeşte minunat limba română şi este foarte agreabil; simplitatea şi modestia sunt alte două calităţi ale tânărului cu alură don-juanescă. Dar virtutea sa o exprimă cel mai natural şi tulburător prin claviatura pianului, pe care o stăpâneşte magic. O explicaţie a acestui secret cred că am găsit-o în momentul în care, citind cartea d-sale de vizită, am descoperit că, citez: „Este cercetător al Universităţii Internaţionale Rozacruce şi studiază raportul dintre muzică şi misticism – domeniu despre care este des invitat să ţină conferinţe”.

Vocaţia pianistică a domnului Raul Passos poate fi schiţată, pe cât de sumar ar părea, astfel: fragilitatea melancoliei chopiniene rezonând prin virtuozităţi din Bach şi Wagner! Dominate de o trăire a întregii sale fiinţe – spiritualizate de marea muzică –, într-o impecabilă sincronizare cu nuanţele şi subconştientul fiecărei lucrări interpretate. Claviatura prinde, sub degetele lui, aproape ireale, o putere care materializează vraja şi o însufleţeşte miraculos. Revelaţia? „La picioarele tale” – compoziţie passosiană de superb rafinament, cu amprenta originalităţii. Partitura muzicală propriu zisă a confirmat valoarea pe care pianistul din Curitiba a insuflat-o, spre exemplu, Concertului nr. 21 pentru pian şi orchestră, în Do major, de Mozart, într-o „cadenţă compusă de el însuşi”, cităm altă precizare a siviului passosian. Infuzia de candoare şi tristeţe, de recul erotic, de veşnică imponderabilitate a dorinţei de iubire deplină, în aceeaşi interpretare Passos-Pavlenco, a emoţionat, cu preţul valurilor de aplauze, prin „Nu vorbi, te rog”, de Camargo Guarnieri, şi prin Trei haiku-uri puse pe note de Paurillo Barroso, cărora distinsa soprană le-a dat strălucire vocală şi teatrală, urmându-le „Amintire”, „Cântec de leagăn”, „Visul nepoţelei” şi „Vis îndrăzneţ”. Eclatantele ritmuri ale clasicului tangou au izvorât – din claviatura fermecată de Raul Passos –, odată cu acordurile suav cadenţate în „Indiscreţie”, de Siquier, în „Serenadă” şi „Coliba”, de Lorenzo Fernandez şi în „Sonet”, „Pauză” şi „Să cânţi”, de Norman Fraser. Simetriile sonore au structurat mesaje şi semnificaţii din inepuizabilul sentiment al eternului El & Ea, intercalând senzorialul filozofic al conceptului „Dacă dragoste nu e, nimic nu e”! Spusa niciodată deplină a acestei dorinţe, s-a insinuat fericit în simţirea celor de faţă, prin recitalul pianistic pe care domnul Raul Passos l-a susţinut la Ploieşti, repet; în compania strălucitei soprane Camelia Pavlenco, despre care vom scrie o cronică aparte.

Eveniment care precede comemorarea Centenarului naşterii lui Paul Constantinescu (la 30 iunie), acest unic recital rămâne un triumf al pianisticii braziliene, prin Raul Passos – pentru prima oară la Ploieşti –, unul din străluciţii ei reprezentanţi, interpret de o remarcabilă sensibilitate solistică. Simpaticul oaspete a excelat, alături de doamna Camelia Pavlenco, cu repertoriul ales din componistica marelui muzician român, pe care l-a susţinut într-un crescendo emoţional răsplătit cu aplauze frenetice. Tandemul Passos – Pavlenco a interpretat cu măiestria dusă la perfecţiune, scurte lucrări muzicale, pe versuri de poeţi români, precum Seara (Arghezi), Jos în care şi Doină (Şt. O. Iosif), Bate vântul vinerea şi De trei ori potcovii calul (Radu Gyr).

Serghie Bucur


(extraído do jornal romeno INFORMATIA PRAHOVEI, da cidade de Ploiesti)

4 de ago de 2009

BELO HORIZONTE...


Não havia percebido até o momento em que me pus diante do monitor para escrever sobre Belo Horizonte que a tarefa de redigir uma crônica sobre a capital mineira me seria muito mais difícil do que narrar toda a epopéia romena ou descrever os "causos" pitorescos da já saudosa Bucareste... Minha ligação com BH é, como pude provar para mim mesmo mais uma vez, extremamente forte, passional... Telúrica, diria!

Em Belo Horizonte vivi momentos únicos na minha vida. Foi para cá minha primeira viagem de avião, aqui vivi meu primeiro amor a distância, aqui fiz alguns dos melhores amigos que tenho nesse mundo e experimentei momentos sublimes de elevação espiritual e de inspiração. Muito do que escrevi e compus até hoje frutificou de sementes lançadas aqui nas Alterosas. Isso tudo para não cair na obviedade de falar nos prazeres do paladar que essa terra proporciona (nunca consigo voltar para Curitiba sem um litro de manteiga de garrafa, um pote de doce de leite de Viçosa e um naquinho de queijo rapa-de-tacho...)

Pois puxei a tarefa (e assumi a obrigação) de escrever minha primeira crônica pós primeiro ano de Romênia sobre esse cantinho de Brasil que tanto me traduz (acabo de pensar no meu querido amigo e professor Harry Crowl, leitor devotado desse blog... Talvez fique um pouco decepcionado pela escolha do tema... Mas você me compreende, né, Harry?)

Depois de um mês de Brasil, pude experienciar aquela sensação a qual já temia antes de deixar o solo romeno: o da perda da raiz. Os ambientes que eu frequentava, as ruas pelas quais andava e mesmo o ar da cidade (de Curitiba falo agora) não me parecem mais os mesmos. Apesar do peso potente e inelutável talhado pela saudade de tudo, a vibração dos lugares me parece diferente e não percebo a sintonia que tinha com esses elementos anteriormente. Não preciso descrever o maravilhoso de reencontrar família, amigos, vizinhos... Isso são, para mim, recompensas dulcíssimas de um ano de esforço e maturação pessoal e profissional. Contudo, a geografia me parece insensível e pouco solidária. Em outras palavras, não consigo me sentir 100% em casa, ao mesmo tempo que sei que jamais estarei completamente em casa em Bucareste ou em qualquer outra parte do mundo. Aceitei o sentimento com um sorriso interior bastante discreto, animado pelo que me disse o mesmo Harry: "isso facilitará a adaptação por onde quer que vá".

Fui a Piçarras depois de alguns dias de Brasil e, curiosamente, apesar das evidentes mudanças na cidade, ainda encontrei, para consolo, o ar da cidade que me viu crescer. Lá, ainda pude sorver um pouco daquela nostalgia de infância e respirar aquele ar tão peculiar (que de longe, muito de longe, me roçou a memória quando estive em Galaţi com Oana, minha amiga do mestrado. Última cidade grande por onde passa o Danúbio, antes de formar o delta, em sua longa jornada pela Europa, Galaţi me trouxe aquela memória promordial e distante).

No entanto, um desejo imenso de rever Belo Horizonte e meus amigos queridos me impulsionou a viajar para cá na última semana. Depois de dois anos ausente, me trouxe um conforto imenso à alma reencontrar uma cidade que parece se moldar ao meu espírito. Tenho uma paixão muito bem resolvida com BH, e isso talvez me leve a julgamentos beirando a parcialidade em muitos aspectos. Evidentemente, não fossem meus amados amigos Wanderley, Jô, Zé Agnaldo, Luciane, Marina, Paula, apenas para ficar nos que pude encontrar dessa vez, provavelmente esse affair com a cidade fosse mais superficial. Mas Minas me presenteou com mais do que posso suportar se quiser retratar suas paisagens e sua gente com pouco ou nada de efusão.

Belo Horizonte é uma ilha no tempo e no espaço. Única cidade do mundo onde estive em que sinto fisicamente que o mundo espera do lado de fora. Sou sincero em dizer que apenas agora, depois de um mês de volta à pátria, senti tranquilidade no coração.

Se for lançar um olhar às coisas que mais me surpreenderam em BH, do ponto de vista prático, diria que me causou agradável surpresa notar a sensação de segurança que se tem pelas ruas, a fluência do tráfego e a eficácia do transporte (diga-se de passagem a boa idéia de pôr nos ônibus pequenos folhetos junto aos bancos com literatura), a cada vez melhor infra-estrutura turística e (curitibanos, pasmem!) a área verde. Embora com muito menos parques, ouso dizer que pelas ruas a arborização é melhor que a de Curitiba, sempiterna capital ecológica...

Mas não quero ficar fazendo propaganda turística. Já disse que não sou imparcial. Apenas desejaria registrar o pleno da minha satisfação em estar nessa terra tão querida. A convivência com os amigos e demais pessoas daqui só me fazem aumentar o desejo de, um dia, me estabelecer por aqui. Mesmo porque não seria mal sobreviver à base de couve, farofa e feijão, tesouro precioso que tanto me faltou na distante Romênia...

Este pequeno post, que muito menos pretensão literária tem do que os anteriores, quer apenas modestamente registrar e sacramentar essa ligação com BH. Praça da Liberdade, Savassi (e a soberba livraria da Travessa...), o mercado central e sua peculiar mescla de aromas, o concerto da Filarmônica no parque... todos são endereços, talvez óbvios clichês, mas onde minha alma, saudosa e inquieta sempre, repousa.

por Raul Passos, em Belo Horizonte / MG, 03 de Agosto de 2009

19 de jun de 2009

Concerto em Ploiesti

Recital de muzica braziliana la Ploiesti

Sábado, dia 20 de junho, às 11 horas, na Casa Memorial Paul Constantinescu (foto), na rua Nicolae Balcescu 15, na cidade de Ploiesti, capital da província de Prahova, terá lugar um recital de música brasileira - piano e canto - interpretada por Raul Passos, mestrando brasileiro na Universidade Nacional de Música de Bucareste, Professora Camelia Pavlenco, da Cátedra de Acompanhamento daquela instituição, e Oana Zamfir, mestranda em piano na mesma Universidade.

O programa constará de obras de Raul Passos, Camargo Guarnieri, Paurillo Barroso, J. Siqueira, Lorenzo Fernandez, Norman Fraser e Paul Constantinescu, a serem interpretadas pela soprano Camelia Pavlenco e pelo pianista Raul Passos.

Em seguida, o pianista brasileiro interpretará, junto com a pianista romena Oana Zamfir, suíte de sua própria autoria para piano a 4 mãos, intitulada Cartas Romenas.

Concluindo o programa, Camelia Pavlenco interpretará, sozinha ao piano, peças de Camargo Guarnieri, Calimério Soares e Ernesto Nazareth.

FONTE: http://brazilia-romania.blogspot.com/ (meu amigo Fernando Klabin)

6 de mar de 2009

CRONICA DA PRIMAVERA QUE NUNCA COMECA


Vou começar a cronica com uma advertencia: a forma não é de uma cronica e pode ser que eu falhe na tentativa pela gama de assuntos que eu quis abarcar e pelo talvez prolixo do meu discurso. Mas vale a idéia e o desafio. Continuo não me considerando um escritor (muito longe disso...) e sim apenas um músico que faz incursões pela poesia.


***


Se em alguma coisa, acima de tudo, tivesse que apontar em que mais Bucareste se assemelha a Curitiba, diria que é na imprevisibilidade do clima. Primeiro de março, simbólico inicio de primavera para os romenos. A costumeira cerimonia dos martisor, simpaticos penduricalhos que são dados para as mulheres como bagatelas ou presentes, se da num dia maravilhoso, talvez o mais quente desde quando posso me lembrar. No final do dia, quando as meninas parecem generais da banda com a quantidade de martisores dependurados, sopra um vento glacial de arrepiar e, na manha seguinte... sorria! O inverno bate a sua porta... E assim tem sido durante a semana: um alternar de sopro primaveril com borrascas súbitas.


Indo mais além (e talvez até longe demais) penso com meus botões o quanto a personalidade complexa dos romenos (e digo complexa para um brasileiro, que fique bem entendido...) não está relacionada com o clima, assim como costumamos associar a dos curitibanos com a mesma causa. Existe um que de misterioso, que não chega a ser fechado, na natureza dos romenos. Isso se reflete de maneira geral no comportamento que se identifica espontaneamente neles. Sempre reservam algo de imprevisivel no trato.


O contraponto disso talvez possa ser observado na lingua. Digo, na fluente linearidade do idioma, sem os contornos da nossa prosódia lusiada e, ainda mais, na noção de formalidade deles, um tanto quanto "dura" para os nossos padrões. Explico-me: o que para nós pode soar "áspero" ou "agressivo", normalmente é a codificação (ou tentativa) de uma busca de equilibrio necessária, assim como a afirmação de uma identidade, um tanto quanto abstrata pelo processo histórico do país.


Ok, concordo. Desviei-me do propósito inicial da cronica. Voltemos, pois, as vacas frias... Tudo isso não passa de uma tentativa de acreditar que a primavera, doce primavera, possa trazer uma luz nova para esse espírito sedento de mais boas surpresas por aqui.


Aproximando-me da etapa final da minha permanencia por essas paragens, percebo que o estagio de absorção pura está dando lugar ao de entrega. Ou seja, estou sentindo que depois de ingerir "romenidades" estou passando a "dividir" brasilidades. Inegavelmente com um tanto de alegria e surpresa, por todo canto onde passo, tenho encontrado romenos afoitos por descobrir algo dessa terra chamada Brasil, tao desconhecida para eles (não temos o direito de achar ruim que nada se saiba sobre nosso país além de samba, futebol e carnaval: foi só o que vi passar na televisão sobre o Brasil... o que de certa maneira encontra eco no insignificante conhecimento que se tem em terras tupiniquins sobre a Romênia: nada além do Dracula e da Nadia Comaneci). Um subito agradavel e violento surto de patriotismo bateu nas ventas deste que vos fala. A leitura desse blog foi além do meu circulo de amizades e, com mais surpresa ainda, tenho recebido comentarios de pessoas exteriores a ele e tambem de romenos [sim, eles tem uma facilidade invejavel para a compreensão da lingua de Camões e de Guimarães Rosa! (parentese dentro do parentese: sim, tem quem acredite que Camões e Guimarães Rosa falavam a mesma lingua...)] . Assim sendo, decisivamente aconselhado pela minha professora de musica de camara, Manuela Giosa, vou começar a ampliar um pouco as ambições dessa pequena pagina na internet, tentando dar um pouco mais de alcance no tangente as impressões sobre a terra. Talvez seja muita pretensão para limitada habilidade, mas vou tomar a tarefa, ja iniciada pelo meu amigo Fernando Klabin com seu(s) blog(s), constantes da minha lista la embaixo...


Infelizmente, carece material no tocante ao relacionamento bilateral Romênia-Brasil. A guisa de exemplo, digo que são uns poucos autores da nossa literatura que foram traduzidos para o romeno. Por conta disso tenho que ouvir, dificilmente calado, romenos associando nossa riquissima literatura com aquele pretenso escritor pseudo-mistico de talento duvidoso cujo sobrenome nos lembra um conhecido mamifero da familia dos leporideos... Machado de Assis, Mario de Andrade, Cruz e Sousa e Vinicius de Morais permanecem ignorados, assim como concordancia verbal em conversa de adolescente, conforme ja diria o nosso Juca Chaves. Mas justiça seja feita: com igual frustração reconhecemos que conceituadissimos autores romenos do naipe de Mircea Eliade e Emil Cioran são desconhecidos do tão carente leitor brasileiro. Esse vacuo permanece uma incognita, visto que estamos falando de duas linguas neolatinas não tão distantes e com literaturas prolificas e interessantes. Se por um lado seria quase impossivel traduzir alguns autores (Grande Sertão: Veredas, o melhor livro da literatura brasileira na minha modesta porém sincera opinião, ja encontra um obstaculo no titulo), e claro que falta também iniciativa por parte de quem detem os in$trumento$ necessarios para o trabalho...


Paralelamente, no terreno da musica erudita, onde piso com um pouco mais de autoridade, percebi que o nosso Villa-Lobos é o unico nome familiar a eles, mesmo dentro do campo gravitacional da Universidade Nacional de Musica, onde curso esse primeiro ano do meu mestrado. Quando tenho oportunidade, não hesito em mostrar Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, Radames Gnatalli e Claudio Santoro (para ficar apenas entre os mais expressivos) aos incessantemente deslumbrados romenos. Quando minha supracitada professora de musica de camara pediu para trabalharmos um compositor brasileiro nesse semestre, eu, exaltado pela possibilidade, vi minhas colegas percorrendo com os olhos a partitura da Segunda Sonata para Violino e Piano de Villa-Lobos com o olhar avido de quem espera encontrar um indio seminu na partitura. Mas tudo bem: elas são muito queridas e me ensinam mais romeno do que o que me é dado aprender na aula na Universidade de Bucareste (mesmo quando riem agradavel e demoradamente quando eu falo alguma coisa muito errada que as faz pensar em alguma besteira...)


Vou encerrar a narrativa de hoje com alguma coisa sobre meu cotidiano: não posso deixar de mencionar o pitoresco restaurante da favela universit...(ops!) digo, alojamento universitario do Cotroceni, para onde me mudei na ultima semana com o consenso do simpatico administrador (as instalações sao otimas, mas eu não podia perder a piada! Foi mais forte do que eu...). Nesse restaurante, que equivaleria a um bandejão popular no Brasil, a preços módicos são servidas algumas iguarias da culinaria romena: mamaliga (a famigerada polenta), um repolho cozido com um molho bem esquisito (em cada colherada é possivel se encontrar em media 10 bagas de pimenta do reino!) e cartofi prajiti (que literalmente significa "batata frita". Ok, tudo bem: não é um prato tipico, mas é consumido em quantidades expressivas. Normalmente frias e murchas, mesmo se chegarmos no horario em que o refeitório abre).


Sem mais para o momento, vou fechando a conta e passando a regua. Diferentemente do que os leitores desse texto possam inicialmente deduzir, devo advertir que o meu sentimento dominante desse lado da tela, em face do que relatei, é o de quem tem visto todas essas coisas com o mesmo tanto de deslumbramento e bom humor quanto são possiveis. Inegavel dizer que a Romênia nos entra nas veias com uma potência inelutavel...




por Raul Passos, em 06/03/2009, e pedindo desculpas pela falta de alguns acentos, pois precisa procura-los individualmente em outros textos porque a porcaria do teclado não tem.


(EM TEMPO: "porcaria" existe na lingua romena e significa "porcaria"...)

11 de fev de 2009

DEPOIS DO INVERNO...

Janeiro foi um típico mês de inverno europeu, embora muito menos rigoroso do que nos anos precedentes, segundo ouvi dos romenos por aqui. Tivemos apenas dois dias de uma neve forte, que depois custou mais de uma semana para derreter. A paisagem muda, o país muda, as pessoas mudam...

* * *

Passou-se mais da metade da jornada. Ainda me surpreendo, comigo e com a Romênia. Algumas impressões desagradáveis e mágoas momentâneas estão dando lugar a uma plena aceitação de tudo. Aqui, antes de mais nada, estou encontrando um país que em quase tudo é semelhante ao nosso Brasil.

* * *

O primeiro semestre do mestrado foi bastante edificante e tive um bom desempenho em todas as avaliações, incluindo um 9,95 (?) no recital público de música de câmara, no qual interpretei com minha excelente colega, a violinista Lavinia Zota, a Sonata para Violino e Piano de Debussy, cuja gravação em vídeo logo postarei aqui.

* * *

Tenho assistido a concertos memoráveis por aqui. Algumas das melhores performances musicais que já presenciei: o pianista francês Dominique Merlet executando magistralmente o Concerto n.4 de Beethoven; o nosso Nelson Freire com o Concerto n.1 de Brahms, o violinista romeno Gabriel Croitoru tocando num instrumento Guarnieri de 1754, com uma incrível sonoridade; além de outras obras como a Quinta Sinfonia de Shostakovich, a Suíte Pássaro de Fogo de Stravinsky e mesmo muitas obras de compositores romenos. Essas estão entre as melhores lembranças que terei daqui.

* * *

Ultimamente tenho empregado boa parte do meu tempo livre na leitura de livros que adquiri para o mestrado, incluindo uma excelente biografia de Debussy. Estou aproveitando essas duas semanas de intervalo entre os dois semestres para adiantar um pouco do repertório que, embora nesse semestre seja um pouco menos trabalhoso, exige um aprimoramento e um refinamento maior da minha parte.

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Apenas para constar: Renata e eu vimos um morcego na rua no cair da noite. Fica a graciosa pergunta: vampiros são somente uma lenda urbana?

La revedere!
por Raul Passos, em Bucareste, Romenia, em 11 de Fevereiro de 2009

3 de jan de 2009

Feliz Ano Novo!!!

Meus queridos amigos, antes de qualquer atualização da jornada, quero externar a todos no Brasil os meus melhores desejos de felicidade, amor, saúde, sucesso, paz, temperança e alegrias para o ano que se inicia. Que nele possamos colher os frutos do nosso desenvolvimento pessoal.

Aqui na Romênia, após as tormentas das quais todos tiveram conhecimento, as coisas amainaram, fazendo jus aquele ditado. Confesso a vocês que foi um momento dos mais difíceis por que já passei e, nesse oceano de dificuldades, me ocorreu mesmo por momentos uma vontade quase inelutável de desistir de tudo e voltar. Isso não aconteceu unicamente por causa do apoio e suporte que tenho recebido de todos aqui e aí, tenha sido esse incentivo de natureza material, financeira, espiritual, etc. Em todas as circunstancias, tanto no planejamento da viagem quanto nas situações de dificuldade por que passei aqui em solo romeno, recebi sempre o pronto atendimento de todos os amigos, colegas, mesmo do embaixador do Brasil na Romênia, prezadíssimo sr. Vítor Gobato e, claro, da minha super-mãe, que não me deixa passar aperto nunca!!!

Quero expressar a todos vocês a minha mais sincera gratidão e o mais incondicional agradecimento por tudo o que recebi e tenho sempre recebido de todos. Meu coração ainda procura uma forma mais adequada de recompensar a todos. Tudo o que peço para a Grande Sabedoria Cósmica é determinação, coragem, lucidez e serenidade para perseverar na senda que elegi e, triunfando nela, poder reverter a todos os queridos irmãos as benesses que me têm destinado da melhor forma que me for possível. A todos, o meu MUITO OBRIGADO, ou ainda em romeno, MULTUMESC MULT!!!

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Seguindo com as novidades, devo dizer que o natal daqui é exatamente o mesmo que o do Brasil. Claro que estamos debaixo de neve e com temperaturas bem pra baixo do zero. Ah, sim... aqui não tem aquelas musiquinhas tocadas em harpa paraguaia como em Curitiba, mas belas canções tradicionais chamadas colinde. Mais uma vez em Drăguşeni, para onde nos dirigimos com o Fernando e a Elena, experimentamos uma semana com neve pelos joelhos e com a riquíssima gastronomia local, feita de cozonac (pão doce com nozes), placinte (torta de queijo doce), afinati (licor de frutas silvestres) e alivanca (receita secreta da Elena...). Não fosse o fato de o Fernando e eu estarmos um pouco mal do trato digestivo, teria sido tudo perfeito, com destaque para as tradicionais brincadeiras na neve com a querida Teodora, sobrinha do Fernando e da Elena.
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No ano novo, Renata e eu fomos para uma pequena aldeia aos pés dos Cárpatos chamada Cornu. Evidente que o nome, fosse no Brasil, seria pródigo em piadinhas. Muita comida, dança e diversão para celebrar o fim de um ano de muita luta e o início de outro com muitas perspectivas.
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Não sei se havia comentado: mudei-me de casa no começo de dezembro. Tive problemas com a senhoria, que invadia minha privacidade além de consumir a minha comida, para não citar outros problemas. Um amigo brasileiro que entrou então na história, Wolfgang, médico de Belo Horizonte, agora residindo na Romênia, conseguiu um quarto para mim no apartamento de sua vizinha, uma simpática senhora grega que, além de mim, tem mais uma estudante de nome Andreea como inquilinos agora. Estou agora a uma quadra da principal praça de Bucareste, numa rua silenciosa, pagando um pouco mais caro mas muito melhor alojado e instalado. De quebra ainda ganhei um mineiro como vizinho e amigo!!!
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Em meados de dezembro tive minha primeira avaliação de piano do mestrado e obtive 9,08.
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Com a resolução dos problemas concernentes ao meu direito de residência no país e ao pagamento do curso no referente a esse ano em que estou passando aqui, fico em situação regular até junho, quando termina o ano letivo e voltamos para nosso amado Brasil!!!
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No começo de dezembro, na companhia do professor Key e de sua esposa Marialba, cruzamos o rio Danúbio (que, a propósito, não é azul mas verde...) e fomos a Bulgária. Mas isso vai render uma outra história que postarei mais tarde.

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Meus queridos, vou encerrando esta página do diário por aqui. Metade da jornada já passou. Os meses que faltam serão vividos com intenso brio e vigor. Mais uma vez envio o meu abraço saudoso a todos, esperando sempre estar nos pensamentos e preces de vocês da mesma maneira como estão presentes em cada segundo que passo nesse país. Dedico ainda essas linhas, cheias de esperança e saudade, a sempre boa memória do meu querido pai que, nesse 2008 que terminou, se desenlaçou do nosso mundo material para seguir sua jornada no plano superior.

La revedere! La multi ani 2009!