"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos." (Marguerite Yourcenar)

«Adevăratul loc de naştere este acela unde pentru prima dată ai aruncat asupra ta însuţi o privire pătrunzătoare» (Marguerite Yourcenar)

raulpassos.maestro@gmail.com

11 de nov de 2010

Reportagem - Recital na programação "MÚSICA NOS MUSEUS"


video
Vídeo com a reportagem do programa "Enfoque" da TV Paraná Educativa, exibida no dia 28/10/2010, sobre o recital de música de câmara dedicado aos compositores franceses Debussy, Satie e Poulenc e realizado pela mezzo-soprano Penelope White e pelo pianista Raul Passos no Museu Paranaense, em Curitiba, dentro da programação cultural "Música nos Museus".

http://www.aen.pr.gov.br/modules/debaser/upload/2963952810musicamuseu.wmv

26 de out de 2010

Les Soirs Illuminés par l'Ardeur du Charbon (Claude Debussy) - PRIMEIRA AUDIÇÃO NO BRAIL

Nesta quarta-feira, 27 de Outubro, terá lugar, às 18h45, no Museu Paranaense, centro de Curitiba, mais um recital didático dentro do programa "Música nos Museus", iniciativa da Secretaria de Cultura do estado do Paraná.

O recital, oferecido pela mezzo-soprano inglesa Penelope White e pelo pianista catarinense Raul Passos trará ao público canções de câmara da obra dos compositores franceses Claude Debussy, Erik Satie e Francis Poulenc.

Além das composições vocais, Raul Passos interpretará dois prelúdios de Claude Debussy e ainda uma peça para piano recentemente descoberta, do mesmo compositor, e até o momento inédita no Brasil: Les Soirs Illuminés par l'Ardeur du Charbon.

O recital terá entrada gratuita e duração de 50 minutos.

4 de out de 2010

CLAUDE DEBUSSY e ERIK SATIE: Compositores Rosacruzes

 
     Num tempo em que muito se tem falado sobre os vínculos entre música e esoterismo e sobre a ligação entre renomados compositores e fraternidades iniciáticas, percebemos quantas vezes os embasamentos históricos são duvidosos e muitas vezes repousam sobre meras especulações. Todavia, sabe-se efetivamente do engajamento de ilustres nomes da música com a Maçonaria. Este é o caso de Mozart (que escreveu inúmeras peças ou dedicadas à ritualística dos maçons ou com temática maçônica), Beethoven, Rossini, Liszt, Puccini, Sibelius (que, a exemplo de Mozart, escreveu música de inspiração maçônica), Piazzolla e Gershwin (esses dois últimos iniciados em lojas de Nova Iorque, na primeira metade do século XX). Perguntamo-nos então em que ponto o pensamento e o misticismo rosacruzes influenciaram igualmente as personalidades que edificaram a história da nossa música.

     Muito se sabe sobre o vínculo esotérico de Francis Bacon, Comenius, Paracelso, Nicholas Flamel, Benjamin Franklin, Jacob Boehme e Thomas Jefferson, por exemplo, para ficarmos mormente no campo gravitacional de filósofos e estadistas. Por outro lado, vemos pouquíssimas linhas dedicadas a ilustres músicos rosacruzes e, menos ainda, sobre as páginas artísticas por eles produzidas à luz da inspiração mística. Por certo, os dois principais nomes ligados ao rosacrucianismo são os de Claude Debussy (1862-1918) e Erik Satie (1866-1925).

     Do ponto de vista musical, Satie é tido historicamente como o grande agitador que inspirou mais de uma geração de compositores franceses a renovar a manifestação musical de seu país, naquele momento envenenada pelo excesso de academicismo e dominada pela influência da ópera. Portador de uma grande carga de gênio, Satie, através de sua atitude libertária, banhada em um perspicaz humor literário, abriu caminhos para que outros compositores, mais preparados tecnicamente, produzissem as obras máximas da música francesa.

     O melhor da produção de Satie encontra-se nas suas miniaturas para piano, onde identificamos sua genialidade mais completamente manifestada. Era um grande improvisador e suas criações nasciam normalmente de inspirações súbitas movidas por estímulos não-musicais. Muitas de suas composições levam títulos humorísticos, mas é curioso notar, entre suas páginas mais apreciadas, a série de 6 peças para piano que levam o sugestivo nome de Gnosiennes (que poderíamos livremente traduzir por ‘Gnósticas’) que automaticamente nos leva a intuir a preocupação filosófica de Satie, fator igualmente preponderante em sua criação.

     Debussy, por sua vez, é uma figura mais celebrada e é artisticamente mais representativo. Cabe aqui mencionarmos alguns aspectos de sua personalidade e de sua obra, que até certo ponto são indissociáveis. É curioso notar as referências feitas sobre o homem Debussy através do olhar de alguns de seus ilustres contemporâneos. O compositor francês é retratado como alguém bastante decepcionado com a raça humana, e sua tolerância com as “humanidades” foi extinguindo-se conforme foi envelhecendo. Tanto em sua música como em sua vida, manifestou uma perene aversão ao supérfluo e a toda ornamentação inútil. Era a exatidão personificada, conciso no expressar-se e cuidadoso com frases, palavras e gestos, fossem eles musicais ou não. Segundo o crítico de arte francês Gabriel Mourey


Debussy era um ser concentrado que vivia uma intensa vida interior.”

     Nesse sentido, o também compositor Raymond Bonheur recorda que em Debussy


“não havia traços da vulgaridade comum aos artistas, nem mesmo aquela ‘amigável camaradagem’ que freqüentemente oculta intenções clandestinas (...). Ao mesmo tempo, ele demonstrava uma grande indiferença à opinião das massas e, sobretudo, um refinado orgulho que não era mais do que a certeza de estar vivendo de alguma maneira em um plano superior”.


     Por outro lado, o compositor Alfredo Casella deixou um interessante testemunho acerca do Debussy já adulto e pai:


“Até o fim, Debussy permaneceu aquilo que os franceses chamam de ‘grand enfant’ [criança grande]. Aquela mesma inocência maravilhosa e limpidez de sentimento, que são a característica fundamental de sua arte, transpareciam em todos os seus atos e palavras. Com cinqüenta anos, ele se divertia mias do que sua pequena filha Chouchou [Claude-Emma] com os brinquedos que lhe trazia sua mãe.”


     Ainda nesse sentido, observamos esse lado perspicaz, misterioso e algo irônico do compositor quando, a respeito da composição do ballet “La Boîte à Joujoux” (A Caixa de Brinquedos), disse ter se inspirado “extraindo confidências de algumas das velhas bonecas da Chouchou”. Essa pureza infantil foi novamente trazida à tona, em sua personalidade, por sua filha. Ao lado de suas paixões por literatura e filosofia, por exemplo, figuravam o gosto pelo circo, pelo teatro de marionetes e pelos livros infantis de figuras.

     O compositor e pianista Gabriel Pierné relata, em seu livro de memórias, que Debussy, já garoto, tinha particular predileção por objetos delicados, raros, preciosos e diminutos. Possivelmente revela-se já nessa época o perfeccionista que esculpiria com esmero cada detalhe sonoro de suas composições mais tardias. Sua irmã Adèle recorda uma criança que “passava dias inteiros sentado e sonhando com algo que ninguém poderia ter idéia”. Mostrava-se meticuloso na escolha das cores de tudo o que usava e, ademais, era sensível no mais alto grau: a menor coisa poderia animá-lo ou então enfurecê-lo, segundo o testemunho de Marguerite Vasnier, a quem Debussy dedicou algumas de suas canções. Seu temperamento independente e resoluto igualmente já se manifestava desde a juventude. O músico Paul Vidal, também seu contemporâneo, relata que “nada exerce qualquer domínio sobre ele”. Também já cedo, durante sua vida acadêmica no Conservatório de Paris, manifestou sua atração pela poesia simbolista de Baudelaire, Mallarmé e Verlaine. Esses poetas seriam referência constante em sua produção musical, tendo ele musicado algumas das mais sublimes páginas das obras deles. Para ele e para os poetas simbolistas, a natureza esotérica da arte era uma crença central, quase dogmática. Baudelaire, particularmente, foi um referencial constante na produção de Debussy. Recordemos que Les Fleurs du Mal (As Flores do Mal), obra-prima de Baudelaire, é caracterizada pela exploração deliberada da dualidade da existência, e que vários poemas dessa obra e de outras criações de Baudelaire eram recorrentes na criação debussyana. O compositor ainda assistiria a uma das soirées literárias de Mallarmé, dirigidas para uma platéia escrupulosamente refinada para apreciação de suas produções inclinadas ao misticismo. Não causa surpresa o fato de uma das grandes produções de Debussy para orquestra, Prélude à l’Après-Midi d’un Faune ter sido inspirado no poema homônimo de Mallarmé.
    
     Em 1895, Debussy terminaria sua ópera Pelléas et Mélisande, que merece de nossa parte um olhar mais cuidadoso. De todas as suas composições, essa é a que sintetiza melhor sua estética e seu ideal. Aqui, Debussy subjuga o ímpeto da emoção humana à sobriedade da sua refinada e sutil expressão musical. É um retrato do sentimento humano sem a ação dramática esperada de uma ópera. Sobre essa obra, declarou a cantora inglesa Mary Garden, que interpretou Mélisande por ocasião da prémière da obra:


“(...) tive as mais extraordinárias emoções que já experimentei na vida. Ouvindo aquela música, eu sentia tornar-me alguém mais. Alguém dentro de mim cuja linguagem e alma eram aparentadas às minhas.”


     Sobre o compositor, ela acrescenta ainda:


“Debussy vivia num mundo tão seu onde ninguém, mesmo sua esposa Lilly, com todo seu carinho e adoração, poderia alcançá-lo. (...) Sentava-se ao piano, por uma hora ou mais, e improvisava. Essas horas permanecem como jóias em minha mente. Jamais ouvi uma música assim em minha vida (...). Quão bela e assombrosa ela era, e ninguém além de Lilly e eu jamais a ouviria. Debussy nunca pôs essas improvisações no papel: elas voltaram para o estranho lugar de onde vieram, para nunca retornar. Aquela música preciosa, perdida para sempre, era distinta de qualquer coisa de Debussy. Havia nela uma qualidade muito sua, remota, de outro mundo, sempre dizendo algo à margem das palavras.”


     Tal era o homem, tal era o compositor. Seu credo artístico, como ele mesmo professava, era “o prazer é a lei”.

     Debussy e Satie conheceram-se em 1890 num popular cabaré parisiense chamado “Chat Noir” (Gato Negro). No ano seguinte, iniciaram-se numa fraternidade rosacruz intitulada “Ordem Cabalística da Rosacruz”, recém reestruturada em Paris. Entre aqueles que a reorganizaram, estavam alguns nomes bastante conhecidos, sobretudo pelos martinistas: de seu Conselho Supremo faziam parte Stanislas de Guaita, Sâr Joséphin Péladan, o célebre místico Gérard Encausse, conhecido como Papus, e Augustin Chaboseau. Péladan, que mais tarde deixaria a Ordem por causa de divergências com Papus e fundaria a “Ordem da Rosacruz do Templo e do Graal”, defendia a ideia de que a arte tinha uma missão divina e era o melhor meio de efetivar a reintegração com Deus. A inclinação esotérica de movimentos artísticos como os pré-rafaelistas e os simbolistas aproximou-os naturalmente dessas fraternidades. Os artistas que as integravam buscavam uma reação aos excessos do romantismo e inclinavam-se, portanto, ao mundo do metafórico e do simbólico, mais naturalmente depurados. O poeta Charles Baudelaire, por exemplo, iria abraçar as idéias do místico Emmanuel Swedenborg e aplicá-las na sua produção poética. De uma maneira ou de outra, todos os grandes artistas que gravitavam em torno desses movimentos e estavam associados a essas ordens iniciáticas, principalmente Debussy e Satie na música, eram verdadeiros “místicos da arte”. A realização dos famosos “Salões da Rosa-Cruz”, marco maior do movimento simbolista, tenha sido talvez a maior realização de Sar Péladan nesse sentido.

     Lembremos que, nessa época, nossa Ordem ainda não se havia organizado na estrutura como a conhecemos hoje. Dentro da fraternidade, Satie viria a desempenhar uma função semelhante à de mestre de capela, e dessa maneira produziu obras voltadas para a ritualística da ordem, como Le Fils des Étoiles (O Filho das Estrelas), escrita sobre argumento do próprio Sâr Peladan, e Sonneries de La Rose+Croix (Sons da Rosacruz), que consta de três partes, a saber: Air de L’Ordre (Ária da Ordem), Air du Grand-Maître (Ária do Grande Mestre) e Air du Grand-Prieur (Ária do Capelão). Mais tarde, Satie iria fundar sua própria seita religiosa e aí continuaria a exercitar as excentricidades em que era pródigo.
    
     Quanto a Debussy, se por um lado efetivamente não chegou a produzir nenhuma obra intencionalmente esotérica, é evidente que seu pensamento musical e alguns de seus ideais artísticos e humanos estavam embebidos de uma filosofia superior, que se não chegou a manifestar-se plenamente em sua vida pessoal, foi apenas por força de um caráter impulsivamente independente e por vicissitudes de sua existência material.
Lembremos que Debussy chegou a defender a idéia da criação de uma “Sociedade de Esoterismo Musical”, numa tentativa de criar uma música menos acessível às massas que, segundo seu entendimento, eram incapazes de compreender a verdadeira arte. Indubitavelmente, como em todos os grandes espíritos, sua genialidade advinha de um hercúleo embate na dualidade da existência e se operava sob um temperamento algo felino e solitário, que o apartava de seus iguais. A um tempo forte e sensível, além de extremamente auto-crítico, a exemplo do que transparece na obra de grandes filósofos e pensadores, sua criação abriga uma incontestável simplicidade sob o véu da complexidade. Seus ideais, assim como sua criação artística, jamais se curvaram às necessidades materiais e nunca fizeram concessão ao gosto popular mediano ou àquilo que fosse simplesmente medíocre.

     É notável, e mesmo de cabal importância para entender sua personalidade e sua obra, admitir essa sua inclinação inelutável para os estímulos de inspiração encontrados nos mistérios do Oriente, do Egito e da Grécia Antiga. Prova irrefutável dessa atração são, por exemplo, os prelúdios para piano “Danseuses de Delphes” (Dançarinas de Delfos) e “Canope”, que pode remeter tanto à Canopo, deus da mitologia egípcia, à cidade de mesmo nome situada às margens do Nilo ou ainda à jarra canópica, espécie de vaso funerário utilizado no Egito dos faraós.

     É necessário ainda acrescentar que, renovando todo um sistema musical arraigado na cultura ocidental, Debussy exige a mais do ouvinte, no sentido de uma nova percepção do evento musical, e força sua atenção para a percepção da ‘música que há além da música’. Reorganizando e re-hierarquizando os valores sonoros fora dos limites dos arquétipos característicos tradicionais, sua música provoca o ouvinte e convida as sensibilidades mais aguçadas a experimentar fenômenos extra-sensoriais promovidos por sua paleta sonora. Não nos causa espanto perceber que algumas de suas composições, notadamente o célebre “Clair de Lune” e a extasiante “L’Isle Joyeuse” estão perfeitamente construídas na Proporção Áurea. Nesse sentido, devolve à música sua função primordial e indiretamente evoca um retorno à natureza, que com muita freqüência domina a temática de suas composições. Em outras palavras, o som, individualizado, readquire sua autonomia e seu valor intrínseco, semelhante àquele que os rosacruzes atribuem ao som vocálico, por analogia. Musicalmente falando, com essa atitude Debussy sacramenta o processo iniciado por Satie e descortina o horizonte para uma nova vanguarda musical.


Aqueles ao meu redor se recusam a aceitar que eu jamais poderia viver no mundo cotidiano das coisas e das pessoas. Daí a necessidade irreprimível que eu tenho de fugir de mim mesmo e sair em aventuras que parecem inexplicáveis – porque ninguém sabe quem é este homem, que talvez seja a melhor parte de mim! – Enfim, um artista é, por definição, alguém acostumado a viver entre sonhos e fantasmas...”
(Claude Debussy)

por Raul Passos, 22 de Setembro de 2010
(artigo a ser publicado na revista "O Rosacruz" do 4o. trimestre de 2010)

BIBLIOGRAFIA:
NICHOLS, Roger. Debussy Remembered. Londres. Faber and Faber. 1992.
ROBERTS, Paul. Claude Debussy. Londres. Phaidon Press. 2008.
ROBERTS, Paul. Images: The piano music of Claude Debussy. Portland. Amadeus Press. 1996.
SALZMAN, Eric. Twentieth Century Music: An Introduction. New Jersey. Prentice-Hall. 1967.


DISCOGRAFIA RECOMENDADA:
SATIE: Sonneries de la Rose+Croix (Oeuvres Complètes), Aldo Ciccolini (piano). EMI Classics.
DEBUSSY : Oeuvres Complètes pour Piano, Pascal Rogé (piano). London Records.
DEBUSSY : Pelléas et Mélisande (DVD), Orchestra and Chorus of Welsh National Opera, Pierre Boulez (regente), Deutsche Grammophon.

1 de jun de 2010

A FORMA POÉTICA E A POESIA DA FORMA


            Entre os muitos paralelos que se podem traçar entre a música e a literatura, talvez o mais instigante não seja aquele que se limita a analisar as justaposições artísticas e seus encontros ao longo da história, mas sim como os seus valores se interpenetram e como as duas esferas se amalgamam numa correspondência autêntica. Em se tratando de duas linguagens, uma verbal e a outra não, mas que no entanto se vale de um complexo sistema de signos e de uma gramática sui generis, há determinados aspectos que identificam uma similitude nas duas práticas.
São elementos comuns às duas linguagens: a repetição de signos, o eco, a polifonia (em suas mais diversas concepções), a textura, a métrica, a agógica e a prosódia, e suas características moldam-se sensivelmente ao transitar da linguagem verbal à musical e vice-versa. Fala-se igualmente em musicalidade da língua, melodia subliminar no texto na mesma medida em que vemos o material poético enriquecer quando associado aos recursos musicais e ornado pelas idiossincrasias instrumentais e mesmo quando substituído pela música absoluta.
            A poesia se edifica sobremaneira sobre a sonoridade da língua em que é escrita e a música não têm fugido à regra, notadamente na produção contemporânea, onde a sempiterna sede e curiosidade dos compositores por novos sons e timbres, aliada ao avanço dos recursos técnicos dos instrumentos têm-nos guiado a um universo paralelo de possibilidades sonoras e de surpresas estéticas.
            Além dos valores de natureza puramente sonora, há ainda o da forma, e mesmo nisso são grandes as semelhanças. O recurso da forma é uma espécie de arquitetura que confere uma unidade orgânica e mesmo uma beleza plástica tanto ao edifício sonoro como às estruturas da poesia. Nesse sentido, é interessante recordar que alguns compositores têm recorrido ao recurso de empregar formas pictóricas e desenhos na grafia das partituras, transferindo a apreciação musical para outros domínios sensoriais. Esse valor tem se mostrado particularmente eficaz também enquanto aliado na valorização do elemento puramente sonoro.
            Em música, historicamente temos nos valido de formas célebres nos moldes das quais vieram à gênese a maior parte das obras-primas que conhecemos. Se pensarmos em forma-sonata, rondó, suíte, etc., sabemos que se tratam de expressões idiomáticas características da linguagem musical e que favorecem a expressão e o discurso do texto sonoro. Em outras palavras, dizemos que essas formas têm valores intrínsecos que constituem verdadeiras fórmulas de valorização do roteiro musical. Chegamos mesmo a identificar um efetivo fluxo narrativo notadamente na música programática. Essas formas não constituem um pacote fechado de possibilidades. Muitos compositores têm proposto novas formas que descortinam sempre um novo horizonte de modelos operacionais e que acabam por organizar o material sonoro sob a égide outros princípios hierárquicos (ou não) e igualmente instigantes em seus propósitos, na maioria das vezes.
Analogamente, na poesia correlacionamos essas fórmulas com o soneto, com as estruturas compostas por rima, por métrica silábica e com uma diversa infinidade de possibilidades estruturais que complementam o conteúdo literário e o valor próprio da sonoridade da língua. A esse respeito, lembramos o que acontece na tradução da poesia: sempre é possível transferir um significado lingüístico de uma língua para outra e, com habilidade e talento, recriar jogos de palavras e mesmo ambientar rimas. No entanto, a beleza própria da língua original permanecerá perdida, ou melhor, se converterá em outro tipo de beleza.
Em se tratando de correspondência de elementos, é provável que a música esteja, sim, mais próxima da literatura que de qualquer outra arte. É inequívoco o fascínio que a poesia exerceu nos grandes espíritos criadores e o quanto eles se apoiaram na magia dos versos para erguer seus monumentos musicais. Ela continuará, a despeito do avanço tecnológico sobre o criar musical, a servir não apenas de apoio filosófico mas como um espelho territorial criativo da grande linguagem universal.

por RAUL PASSOS, 23/05/2010

28 de abr de 2010

UN POEM...




Fructul acestei așteptări se coace
În timp ce cel mai mare secret al nostru
Rămâne în întuneric.
Și doar după ce ploaia (sau vântul) se opresc


Va reveni căldură începutului
Dovedim că plăcerea e enigma sămânței (de iubire).
Sau, din nou, stigmatul...
Care întotdeauna nu are nevoie de motiv


Suntem noi scufundați într-un abis,
Fără să ne aventuram în univers,
Imaginar... tot timpul singuri?


Doar din întâmplare... -sau meditație
Poate va exploda o lume mustind de pasiune
Atât de frumoasă... încât noua nu ne mai este permis să trăim în ea...

(traducere în limba română: Marina Crețu)

3 de abr de 2010

ROMÊNIA: UMA RAPSÓDIA MÍSTICA


          A exemplo de todas as outras mudanças que nos ocorrem durante nossa existência terrena, uma viagem determina uma separação, uma escolha, uma mudança de rumo, mas também uma oportunidade de crescimento. Disse o notável escritor português José Saramago em um dos seus livros: “Nunca sabemos o que há por trás de cada gesto nosso”, e isso bem podemos aplicar à nossa vida prática dizendo que nunca temos consciência plena do que se sucede após cada uma de nossas escolhas.

           A princípio, a Romênia, desde o momento em que a escolhi como país de destino até o momento em que lá cheguei, seria sinteticamente o palco de um momento o qual dedicaria à meu aperfeiçoamento profissional, nessa perpétua e utópica busca pela perfeição. Algo a que nem sempre atinamos, além dos percalços e da natural vocação da vida às surpresas, é que, mais do que qualquer aprimoramento intelectual, buscamos em nosso íntimo um crescimento enquanto seres humanos alimentados pela centelha divina, de forma que é sempre isso que nos move em direção ao desconhecido no afã de evolução, e é sempre melhorados que regressamos de cada uma dessas jornadas.


          Do ponto de vista da minha jornada pessoal, logrei o crescimento profissional que pretendia, e hoje me considero um músico muito mais completo do que aquele que deixou o Brasil. A Romênia foi um mestre poderoso que me estimulou pelo peso e pelo exemplo de sua tradição cultural e desbastou minhas arestas pelo malhete rígido da disciplina e das intempéries da existência. Vivi a sensação dolorosa e angustiante da transição de meu pai na minha ausência, embora tenha aceitado o fato com serenidade, por saber que a missão dele havia sido cumprida com êxito, extinguindo-se com o mínimo de sofrimento e, o mais importante, tendo consigo a mão afetuosa dos meus amigos e dos irmãos obreiros que, tenho certeza, compensaram a minha ausência física.
 
Vivi ainda a dificuldade de burocráticos problemas consulares, a necessidade de repetidas mudanças de residência, o auto-questionamento sobre minhas aptidões profissionais e por muitas vezes tive vontade de desistir. Não o fiz por obra de um misterioso sentimento, que ainda hoje me acompanha e que desconheço parcialmente, mas que foi alimentado pela ternura e pelo afeto que me dedicaram os amigos que por lá fiz, e que hoje digo que foram o maior tesouro que conquistei nessa viagem, e cuja falta sinto em cada dia.

Tive também a alegria de realizar alguns concertos em solo europeu, sonho quase inalcançável para muitos outros músicos de mérito e talento iguais ou superiores ao meu. Procurei representar com dignidade e altivez o nome do nosso país, através da nossa riquíssima música, e creio ter despertado a simpatia e a curiosidade daqueles que me cercavam, face ao insólito de uma cultura tão distante deles.

Pude reparar também no fato de como a religiosidade daquele povo os ampara ante as agruras do cotidiano. Não aquela religiosidade cega, intolerante com as diferenças ou impositiva, mas aquela que é serena, leve e que permeia cada ação dos seus praticantes, como se fosse uma gigantesca e diáfana aura de uma espécie de misticismo coletivo.

Houveram ainda percalços que se converteram em pedras brilhantes: a necessidade de comunicação obrigou-me a aprender a língua romena, tarefa que tomei com prazer, culminando na paixão que o idioma acabou por me despertar. Isso propiciou momentos de grande elevação e outros mesmo lúdicos, sendo que muito do que aprendi devo às minhas colegas de turma, sempre prestativas e calorosas, que não hesitavam em me corrigir e também em dar simpáticas gargalhadas quando eu dizia alguma besteira.

A uma pessoa qualquer, o que eu diria sobre a Romênia? Que é uma país de contrastes, de belíssimas paisagens, de antiqüíssimas lendas, de uma gastronomia peculiar... Mas o que dizer para os habituais leitores desse blog, cujos ouvidos não se contentam com o mel do superficial e cuja curiosidade procura sondar o que há muito abaixo da pele em evidência? Vasculhando os arquivos da minha memória, revisitei essa terra na qual deixei uma parte da minha vida, sem apelar para fotos ou quaisquer outros estímulos que não fossem aqueles propiciados pelo coração e pela intuição, e aí encontrei “um país de companheiros”.

Explico-me: a Romênia é uma país edificado à custa de muita luta e sofrimento, amadurecido pela força da ação dos eventos históricos e apesar da natureza inicialmente rústica e ingênua de seu povo. O processo vivido ao longo de mais de dois mil anos pelos romenos não os poupou em invasões que subjugaram sua soberania incontáveis vezes. Também não faltaram divisões e partilhas territoriais que retalharam seu território separando seus iguais mas também reunindo na mesma pátria povos tão diferentes entre si: lembremos que lá convivem bucovinos, ciganos, húngaros e eslavos. Em pleno século XX, uma ditadura das mais cruéis e desumanas já vistas se impôs sobre aquele povo, provocando um atraso quase secular face aos países da Europa ocidental. No entanto, o árduo de sua história foi também o cinzel que moldou a pedra bruta. O advento da abertura econômica e social do período pós-Ceaușescu forçou os romenos a marcharem em outra direção, antagônica, e ainda é cedo para predizer o futuro do país. Onde antes havia escassez e opressão, hoje imperam a liberdade e os excessos da cultura do século XXI. Uma força os arrastou, em uma fração de tempo infinitamente curta se comparada a toda a sua história, frente à luz ofuscante de um Oriente diferente e, apesar disso, é a grande responsável pelo polimento da pedra. Hoje, a Romênia traz a experiência conquistada pela aridez de sua história e uma grande carga potencial. No entanto, ainda lhe falta a serena maturidade do ocaso para a maestria de seu destino.

No momento da partida, enquanto, a caminho do aeroporto, passávamos de carro pelas já saudosas ruas congestionadas de Bucareste, curiosamente mais do que ansiedade por retornar para casa, sentia uma saudade e uma nostalgia inelutáveis de tudo o que estava deixando. Pensei, calado e olhando pela janela, em todos os obstáculos e em todas as conquistas, no arrastado desse um ano que, por fim, pareceu fugaz como um estalar de dedos, e me lembrei subitamente das palavras que me disse minha amiga Ioana, colega de mestrado,  num dia em que conversávamos no gramado de um parque ao lado da universidade, num momento em que dividia com ela as aflições de um momento conturbado. Sorrindo, ela me disse uma frase de Nietzsche que, seguramente, nunca mais esquecerei: “Trebuie să ai un haos în tine pentru a da naștere unei stele care stralucește”. Em bom português: “É preciso que haja um caos dentro de si para que possa dele nascer uma estrela brilhante”.


13 de mar de 2010

LES JEUX SONT FAITS


Freqüentemente as pessoas, sobretudo aquelas com quem não tenho um contato tão direto, têm-me feito invariavelmente a seguinte pergunta: “Como você foi parar justamente na Romênia?”. Não tenho cansado de repetir a mesma história, embora a cada vez enfatize um ou outro aspecto, conforme o interlocutor.
            Certamente não por acaso, há alguns dias a minha amiga romena Veronica Anghelescu, de quem fui colega na classe do compositor Sorin Lerescu, me fez um convite bastante especial: sendo ela a editora responsável da prestigiosa revista on-line de música contemporânea No.14 Plus Minus, manifestou o desejo de que eu escrevesse a história da minha amizade com o querido supracitado compositor, presidente da seção romena da Sociedade Internacional de Música Contemporânea. Mesmo sem saber, por extensão ela me deu a oportunidade de escrever a história da minha viagem para a Romênia, que está ligada diretamente ao meu desejo de aperfeiçoamento no campo da composição com o nosso digno Sorin Lerescu.
            Enviei o artigo a ela, e este foi publicado na referida revista cujo link consta logo abaixo da tradução do artigo que redigi e que transcrevo aos leitores desse blog.

            Sunt deja obișnuit cu întrebării persoanelor despre ”De ce te ai dus la România?”, mai ales din partea celor care nu văd în fiecare zi. Nu mi am plictisit de a răspunde întotdeauna la fel, chiar dacă uneori povestesc un pic diferit.
                Sunt sigur că nu își datorează unei șansa faptul că o amică mea, Veronica Anghelescu, fosta colega mea în clasă domnului Sorin Lerescu, m-a făcut o invitație foarte mult specială: fiind editora unei revistă on-line de prestigiu în domeniul muzicii timpului nostru, No.14 Plus Minus, m-a spus că ar vrea din partea mea povestea despre prietenia mea cu dragul compozitor maestrul nostru, președinte al secțiunii române a Societatea Internațională de Muzică Contemporană. Nu o știa, dar Veronica m-a dat astfel oportunitatea de a scrie povestea călătoriei mele la România, care este legată faptului că aș vrea să mă perfecționez în domeniul compoziției cu domnul Lerescu.
                Articol a fost trimis și a fost publicat în revista No.14 Plus Minus. Link-ul poate fi găsit dedesubt textului care transcriu în portugheză pentru cititori blogului.    


* * *
LES JEUX SONT FAITS...

            Em razão de alguns eventos memoráveis de nossas vidas, chegamos aos lugares mais distantes e encontramos as pessoas mais inesquecíveis. Há alguns dias eu me perguntava se tudo o que aconteceu não teria sido mais do que um sonho... Porque é apenas nos sonhos que encontramos pessoas tão maravilhosas como este senhor, do qual falarei umas quantas palavras a seguir...
            Eu era aluno de Harry Crowl na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba, Brasil, quando ele voltou ao país vindo da Eslovênia, por ocasião do World New Music Days, promovido pela Sociedade Internacional de Música Contemporânea. Falava com entusiasmo sobre a música que escutara por lá e, ainda mais, estava bastante contente com as amizades lá travadas. Falava especialmente sobre alguns “novos amigos romenos”. Nesse momento, mesmo sem imaginar o que se abriria para mim depois desse comentário, eu disse a ele: “Eu gostaria muito de ir à Romênia. Tem qualquer coisa nesse país que me atrai a atenção!”. Algumas horas mais tarde, me chegava por e-mail a seguinte mensagem: “Eis aqui alguém que pode te ajudar nos teus planos. Boa sorte!”. Embaixo do texto havia o nome e os contatos de Sorin Lerescu, “um excelente compositor romeno”, segundo duas próprias palavras.
            Escrevi a ele, contando dos meus planos, desejos e, por que não, esperanças de fazer alguns progressos na composição sob sua orientação. Harry Crowl me dizia que se tratava de uma pessoa tão amável e amiga como talentosa e aberta, cujo pensamento musical estava bem próximo às minhas idéias. Olhando o seu site na internet, escutei o seu Momente para orquestra de cordas e Les Jeux Sont Faits. Depois dos primeiros compassos, sorrindo, eu disse a mim mesmo: “Esta é a música que eu gostaria de fazer...”
            No dia seguinte, a resposta. Posso dizer que era capaz de escutar a voz dele vinda de dentro do texto, com sua amabilidade habitual, que ainda melhor eu iria conhecer, abrindo as portas da Romênia. Eu pensava que deveria ser algo inédito na sua cabeça: um rapaz que subitamente se interessava por seu país. Alguns dias mais tarde, Harry me enviou um e-mail do Lerescu endereçado a ele e, juntamente, sua resposta: eram algumas considerações sobre mim. Na espera, tratei de encontrar os meios de ir à Bucareste. Encontrando uma linha de pesquisa no domínio da interpretação pianística, tomei rumo à Universidade Nacional de Música de Bucareste, sem esquecer também o desejo de seguir as orientações do Lerescu de algum jeito.
            Nosso primeiro encontro foi quase um de dois velhos amigos. Na Sala Polivalenta, ele me convidou a freqüentar seu curso de composição. Foi lá também que conheci outros colegas, tão apaixonados quanto eu pela música de Lerescu. Freqüentando alguns dos cursos durante o ano em que fiquei na Romênia, cresci não apenas em alguns aspectos da composição como também como compositor-indivíduo. Pude observar a atenção afetuosa que ele dedicava à sua classe e a espontaneidade e naturalidade com a qual compunha. A lembrança de nossas conversas sobre música durante o almoço no Parque Tineretului estão ainda vivas. Um coração tão grande que não esqueceu nem mesmo a amabilidade de me convidar para a XIX Semana Internacional de Música Nova, devolvendo a este compositor o gosto e a paixão de escrever. Nesta ocasião, tive a oportunidade de não apenas escrever um testemunho dos meus tempos de Romênia, mas também de agradecer a este grande nome da música romena a oportunidade de seguir seu exemplo.

Raul Passos
Curitiba, Brasil – 8 de Março de 2010

Links relacionados:
http://no14plusminus.ro/ (Revista No.14 Plus Minus)

25 de fev de 2010

ENTREVISTA COM RAUL PASSOS

Link para download do arquivo com a gravação da minha entrevista no programa Rota 630 da Rádio Educativa de Curitiba, programa este apresentado por Sérgio Silva. Na entrevista, são apresentadas 3 composições minhas: Novelette para clarinete e piano (com Alexandre Gonçalves ao clarinete), Estudo de Concerto (para piano) e Aos Teus Pés, na voz de Mari Lopes. Na entrevista, além de música, falo sobre a Romênia. O link ficará também à disposição para download no menu esquerdo do blog, logo abaixo do histórico de postagens.

Vă ofer aici link-ul pentru interviul (în limba portugheză...) care am înregistrat la Radioul Educativa din Curitiba (Brazilia) pe programul Rota 630 cu Sérgio Silva. Aici, vă prezint 3 compoziție: Novelette pentru clarinet și pian (cu Alexandre Gonçalves, clarinet), Studiu de Concert (pentru pian) și Aos Teus Pés (La Picioarele Tale), cu voce ei Mari Lopes. În acest interviul, vorbesc și despre România și despre persoanele cu care am lucrat (Sorin Lerescu, Fernando Klabin, Oana Zamfir...). Link-ul va fi găsit în definitiv și pe meniul de la stângă blogului, dedesubt "Arhivul Blogului".

http://rapidshare.com/files/355820134/entrevista_sergio_25_02.mp3.html

28 de jan de 2010

BAUDELAIRE E RIMBAUD



Apresento, para apreciação dos leitores deste blog, traduções de dois dos mais célebres poemas da literatura francesa: A Une Passante, de Charles Baudelaire (uma preferência pessoal minha) e Le Dormeur du Val, de Arthur Rimbaud, ambos exponentes do simbolismo.




A UMA PASSANTE  
(Charles Baudelaire)


A rua, um caos, a meu redor vociferando.
Esbelta, esguia, de luto, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão faustosa
Erguendo o debrum e a tiara balançando;

Tinha a perna de estátua, era ágil e fina.
Eu bebia, excêntrico e crispado agora,
No seu olhar, céu cinza onde a tormenta aflora,
A doçura que encanta e o prazer que fulmina.

Um clarão... e então, noite! – Furtiva beldade
Cujo olhar de repente me fez renascer,
Não te verei jamais senão na eternidade?

Tarde demais! Distante! Nunca, pode ser!
Não sabes aonde eu vou, e não sei aonde ias,
Tu que eu teria amado, e tão bem o sabias!

(tradução de Raul Passos)



O ADORMECIDO DO VALE
(Arthur Rimbaud)


É um recanto verde onde canta uma ribeira
Qual louco se enredando ao roto dos capões
De prata; onde o sol, da montanha altaneira,
Luz; é um pequeno vale que espuma em clarões.

Jovem soldado, boca aberta, testa nua,
Banha a nuca no fresco dos agriões azuis:
No sereno ele dorme, sobre a grama crua,
Pálido, no leito verde onde chora a luz.

Os pés sobre os gladíolos, repousa. Sorrindo
Como fosse um menino doente, está dormindo:
Tem frio. A natureza o embala no seu peito.

Mas o cheiro dos perfumes não mais lhe alcança,
Dorme sob o sol, mão no coração, descansa
Em paz. Dois rombos rubros do lado direito.


(tradução de Raul Passos)



17 de jan de 2010

O PEDREIRO LIVRE

Recebi de um operante e valoroso irmão maçom de São Luís do Maranhão, Henry Marinho, o link para seu blog, voltado para as atividades maçônicas e para o meio cultural que gravita em torno da milenar Arte Real. Ele ainda gentilmente colocou um post sobre o blog Raul Passos e se colocou à ordem para a difusão do nosso conteúdo.

A partir de hoje, o blog Raul Passos também passa a cooperar com "O Pedreiro Livre", cujo link está disponibilizado na sessão correspondente dessa página, onde poderá ser acessado e de onde constarão suas atualizações. Deixo aqui os meus protestos da mais alta estima e amizade ao irmão Henry Marinho!

http://pedreiro-livre.blogspot.com/2010/01/um-maestro-em-nossos-quadros.html