"O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos." (Marguerite Yourcenar)

«Adevăratul loc de naştere este acela unde pentru prima dată ai aruncat asupra ta însuţi o privire pătrunzătoare» (Marguerite Yourcenar)

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5 de abr de 2013

PAIXÕES MUITO ALÉM DA TRANSILVÂNIA



Extraído do DIÁRIO DO COMÉRCIO DE 04/04/2013


Todos sabem qual é a bebida preferida do Drácula. Isso não significa, entretanto, que sua sede de "hospitalidade" tenha deixado de lado os vinhos propriamente ditos, produzidos na sua Transilvânia. No sombrio castelo nos Cárpatos, Drácula (Gary Oldman) tratou de servir vinho ao noivo (Keanu Reeves) da eterna amada (Winona Ryder). E já vagando pelos séculos à sua procura, foi com tintos que voltou a seduzi-la. Assim mostra o clássico Drácula de Bram Stoker (1992), dirigido com muito sangue por Coppola. Hoje, os produtores de vinhos da Romênia estão em plena campanha para seduzir novos consumidores mundiais, tratando de dar qualidade (com regras rígidas da União Européia) a uma atividade enraizada nesse canto mais sudeste da Europa há pelo menos 4 mil anos.
Cinco vinícolas de excelência (Carl Reh, Cramele Recas, Domeneniul, Murfatlar e Senator), reunidas na entidade Select Wines of Romania, trabalham para aumentar sua participação no mercado dos Estados Unidos – hoje apenas 7% de suas exportações vão para lá.
Quem atualmente viaja pela Romênia, atraído principalmente pelo fascínio do Conde Drácula – o histórico e o da ficção –, vai encontrar um país pontilhado de vinhedos, da Transilvânia ao delta do Danúbio, o rio que se abre para o Mar Negro. Além do apelo das variedades autóctones (Babeasca Neagra, Busuioca de Bohotin, Feteasca Alba, Feteasca Neagra, Feteasaca Regala, Tamaioasa Romaneasca, Sarba), os produtores fazem também propaganda da localização geográfica de seus vinhedos, cuidados na mesma latitude de importantes áreas de Bordeaux, Borgonha e do Piemonte. 
Os investimentos na indústria vinícola romena voltaram a crescer com as privatizações ocorridas em 1990, apagando um passado de declínio, quando os comunistas nacionalizaram e descuidaram de toda a produção. A Transilvânia é apenas uma das sete regiões demarcadas do país, um platô de onde saem principalmente vinhos brancos, feitos com a Feteasca Alba, a uva mais popular da Romênia, com mais de 22 mil hectares plantados. São vinhos bem balanceados, secos e semi-secos, com 11,5 a 12%. Com a Tamaioasa Romaneasca, os vitivinicultores romenos estão elaborando vinhos de um amarelo ouro cintilante, com aromas de flores e mel, bons para guarda. Os tintos da Babeasca Neagra e da Feteasca Neagra (na foto ao lado) são de um vermelho intenso, têm alta acidez e encheriam não só os olhos de Drácula.
José Guilherme R. Ferreira é membro da Academia Brasileira de Gastronomia e autor do livro Vinhos no Mar Azul – Viagens Enogastronômicas (Editora Terceiro Nome).